CASA/CORPO

CASA/CORPO

As simbologias da casa engendram uma poética instigante em torno do corpo e têm sido uma constante na produção da arte contemporânea. Seja através de elementos imprescindíveis em um lar, seja pelo aspecto da arquitetura interna e externa, a casa sempre repercute a dimensão humana em seus contextos político-sociais e assim, conseqüentemente reflete o próprio corpo. Porém, não mais limitado em si mesmo. CASA/CORPO é o desdobramento de uma exposição anterior – Casa Fechada – realizada no início deste ano por um grupo de artistas que utilizaram a imagem da casa como metáfora do corpo.


Dione Veiga Vieira, Klinger Carvalho, Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Marcelo Gobatto, Gabriela Picoli e Luciano Zanette apresentam diferentes abordagens sobre o tema através do uso de diversas linguagens e meios de expressão visual. O resultado é um panorama de obras que apontam para além do próprio corpo, e se expandem nas relações propostas entre corpo individual & corpo coletivo; simbolicamente, entre Casa & Corpo.


Dione Veiga Vieira iniciou carreira como pintora e desenhista no início dos anos ’80. A partir do ano 2000, passa a realizar esculturas com materiais diversos e com aspecto orgânico. Em 2002, apresentou “O Corpo Invisível”; uma instalação que ocupou o espaço interno de uma capela, e que se constituiu predominantemente de mangueiras plásticas que se projetavam das paredes, em uma representação pungente de um corpo-casa. As instalações posteriores desenvolveram essa analogia casa & corpo concomitantemente à poética da ausência do corpo através do uso de móveis, objetos e fotografias.

Na exposição CASA/CORPO, a artista apresenta uma instalação com móveis em cor preta, louças brancas e artefatos metálicos, prosseguindo assim, com as metáforas de ausência assinaladas pelo estranhamento de inusitadas composições.


Klinger Carvalho utiliza móveis tais como cadeiras e mesas na construção de esculturas de grandes dimensões. O impacto dessas obras se dá não somente pelo aspecto visual das mesmas, mas pelos questionamentos que essas suscitam a respeito das fronteiras entre casa & corpo e também, entre corpo & mundo. Os móveis agregados em blocos e cercados por grades metálicas reforçam a idéia de inacessibilidade do corpo, tanto em relação à conjuntura interna quanto à externa da casa. Os sentidos das obras de Klinger abrangem desse modo, um aspecto crítico diante dos conflitos da vida contemporânea.

“Variação em Vermelho – O Viajante percorre Territórios Incógnitos” (2006) ‎ é a obra que Klinger apresenta na exposição CASA/CORPO como a representação de suas impressões sobre a paisagem urbana.


Laura Cattani e Munir Klamt – Grupo-Ío – apresentam espetáculos multimídias e exposições com uma atmosfera carregada e onírica baseada na biografia de um personagem pinçado nos arquivos da história local: A. Hilzendeger Feltes. Dentro dessa proposta desenvolvida desde 2003, os dois artistas utilizam vários elementos relacionados à imagem da casa, como móveis e roupas do vestuário feminino e masculino, para compor uma fábula visual repleta de reminiscências do corpo.

Na exposição CASA/CORPO, Laura e Munir apresentam a videoinstalação A Quarta Parede, uma colagem de imagens que desvendam o interior de casas vazias, escuras e abandonadas, além de outras instalações construídas com objetos e móveis.


Luciano Zanette e Gabriela Picoli realizam instalações que utilizam esculturas elaboradas a partir de móveis e intermediadas por imagens fotográficas; obras que possuem referências diretas do corpo e acima de tudo, densas reflexões sobre as relações humanas. Em 2005, os dois artistas apresentaram a instalação conjunta “O Estado Amoroso e a Melancolia” em que o elemento principal – construído com dois genuflexórios de igreja – lembrava o formato de uma cama; uma proposta rica em metáforas sobre a relação corpo individual & corpo coletivo. Para adensá-la, as fotografias de Gabriela Picoli mostravam detalhes do corpo humano, pontuando dramaticamente o espaço expositivo.

Na exposição CASA/CORPO, Luciano Zanette apresenta a escultura intitulada CASA-TRABALHO construída com madeira e asfalto e Gabriela Picoli, por sua vez, expõe fotografias com formas abstratas e orgânicas.


Marcelo Gobatto, videoartista, professor, produtor e diretor de vídeo desde 1990; doutorando em Poéticas Visuais no Instituto de Artes da UFRGS; integrante do grupo P.O.I.S, juntamente com Luciano Zanette e Claudia Paim. Suas obras elaboram fundamentalmente a questão do tempo. Na exposição CASA/CORPO, Gobatto apresenta um vídeo cuja seqüência de imagens é cuidadosamente concebida para uma atenta fruição do espaço-tempo de uma casa. O foco sobre os vários objetos e móveis vasculham os vestígios da história de um corpo: suas memórias afetivas, suas crenças e hábitos cotidianos. Maria é o nome dessa casa-corpo que, delicadamente, vai se desvelando sob as sensíveis lentes do artista, em um universo pleno de luz.
CASA/CORPO
Abertura: 10 de junho de 2008, às 19h.
Exposição: 11 de junho a 02 de julho de 2008.
Horários:segunda a sexta, das 8h às 17h30min.
Onde:Galeria de Arte do DMAE - R. 24 de Outubro, 200 - Porto Alegre - RS
Fone:(51) 3289.9722



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